domingo, 10 de fevereiro de 2008
A gente fica carente, poxa. E não é como os homens pensam, só naquele período do mês. A carência vem quando ela bem entende e fica na volta da gente o tempo que quer.
E enquanto a gente está carente parece que a vida é um papel de cartas velho e desbotado, com uma temática romântica. A gente sabe o que é amor, o que é ser amada, mas faz tanto tempo que as coisas perderam a cor...
Fico me sentindo um útero gigante, sabe?
Começo achando que os bebês são bonitinhos. Quero pegá-los no colo, quero achar cheirosinho e queridinho. Ó, babou na tia! Ó, tá soninho!
Conseqüentemente, começo a pensar em todos os caras que vejo na rua como potenciais namorados. Muito gordos, muito feios, muito pobres. Opa, um bonitinho aparece! Fico flertando com desconhecidos no ônibus, ou onde for.
Alguém mais acha que isso é deprimente?
Sério, nunca concorde com a mulher carente quando ela reclamar da situação atual. Sempre fale que não é tão ruim assim. Sempre. Cite exemplos de pessoas que tem namorados e são infelizes. Mostre a miséria alheia. A mulher carente não quer se foder sozinha!
Não seja muito feliz perto da mulher carente.
Aliás, não chegue muito perto da mulher carente. A menos que você seja o bendito Dirceu.
Se você não sabe quem é Dirceu, escute Lobão. De preferência cantado pela Marina Lima, porque ele é um insuportável.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Não dá pra acreditar.
Eu estava na frente de uma balada no sábado com alguns amigos, esperando pra entrar. Por causa da chuva, as poucas pessoas que estavam na fila se amontoavam debaixo de um toldo. De repente, um boçalzinho passou de carro e tacou uma GARRAFA nas pessoas que estavam na fila.
A garrafa acertou em mim.
É claro que foi muito azar da minha parte, porque obviamente tal projétil não se destinava à amigas-moderninhas.
Felizmente, e graças à boa industria de vidro que faz garrafas de whisky resitentes, esta bateu na minha canela e não quebrou. Mas podia ter caído no chão e estilhaçado pra todo lado. Podia ter acertado na minha cabeça. Podia ter fucking matado alguém.
Eu me revolto por pensar que todo mundo julga aqueles boyzinhos que atearam fogo em um índio há mais de dez anos, mas não realizam que esses merdas ainda estão soltos por aí. E estão multiplicados, encarnados em outras centenas de boyzinhos.
Os que espancaram e mataram dois travestis no começo desse ano, em São Paulo.
Os que, por diversão, abrem extintores nas putas da Osório.
E os infelizes que, querendo acertar um menino, acertaram uma menina na frente da balada.
Porque incendiar mendigo, pode.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Revisão de conceitos
Aquilo que eu tinha como certo, moral e óbvio se chocou, ontem, contra uma vontade.
Todo o valor que eu colocava na razão rachou e está prestes a ruir.
Me arrependi. Disse não, quando não sabia o que dizer. Disse não porque não achei que pudesse dizer outra coisa. Agora eu quero gritar "SIM! SIM!", mas estou muda. Quer dizer, se uma maçã cai no meio da floresta e ninguém está lá para ouvi-la, ela faz barulho?
Agora estou aqui, ajudando a derrubar, com a cabeça, o muro rachado dos meus valores-supervalorizados.
Chega de puritanismo implícito.
Chega!
domingo, 9 de dezembro de 2007
Post Scriptum
Como eu te disse, eu tinha um certo budget, e o seu presente acabou saindo em conta. Por isso, continuamos pela Zara olhando coisas que pudessem interessar.
Perto do caixa havia uma bancada com cuecas e pijamas bacanas. Eu parei pra olhar.
Aí, a Georgia falou "Ui! Você vai dar uma cueca pra ele?".
Eu dei risada, sem saber como explicar pra pequena que nós temos um certo grau de intimidade onde cuecas estão ok. Disse apenas que nós dois éramos muito amigos.
Então a Jaque virou pra ela e disse: "É como se eles fossem irmãos."
Tenho pensado muito (mesmo) sobre as diferentes formas de amizade, e achei isso bonito.
Não tenho certeza se somos como irmãos de verdade, mas há um amor incondicional. Aquele em que a gente ama até o que não gosta. E acaba não gostando, por gostar demais.
Mas acima disso, existe aquela conexão linda, inexplicável. O sorriso no meu rosto que parte da sua felicidade. A dor no meu coração, que parte da sua tristeza. Aquele sentimento de que alguém está faltando quando você não está comigo.
Os seus sapatos são grandes demais, Fê. É por isso que ninguém mais pode calçá-los.
O seu post virou post scriptum, por chegar atrasado demais pro seu aniversário. Mas acho que o último presente de aniversário também tem seu charme.
Acho que, sobre o aniversário, a nova idade e tudo mais, não há muito o que dizer. Apenas que você conseguiu. Transformou sua vida, se tornou um homem. E, por mais que você não reconheça, tenho certeza que é um cara muito feliz. Sendo realista, só posso te desejar que, com 25 anos, as coisas continuem melhorando no ritmo que melhoraram com 24.
Eu nunca disse que te amo com palavras vazias. Acredite. Esse é um dos textos mais desconexos que já escrevi, mas é redondo de amor.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
TV por assinatura
Interrompemos a programação habitual deste Blog ( ou seja, chuviscos e posts desatualizados) para alertar sobre algo que, pode não ser lá muito nobre (como salvar golfinhos), mas creio que seja do interesse de todos nós.
Existe um Projeto de Lei (nº 29/07) que pretende estabelecer regras para a programação das tvs por assinatura. Ele já está na Câmara dos Deputados e vai ser analisado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Informação e Comunicação.
O que pretende o projeto?
A proposta impõe uma cota de 40% de conteúdo nacional no total da Programação e uma cota adicional de 10% de conteúdo nacional para cada canal – incluindo os canais estrangeiros!
Isso será decidido sem nenhuma consulta popular. E como não está sendo divulgado pelos grandes canais de televisão (Globo, STB, Record, etc), ninguém ouve falar disso e não tem a oportunidade de discutir.
É claro que as redes supracitadas não têm o mínimo interesse em expor essa proposta. Se a Lei for aprovada, ela abrirá uma enorme janela para que essas empresas tomem conta de tudo que assistimos, nos submetendo a mais conteúdo de baixa qualidade e cheio de influências políticas.
Então, como eu disse, talvez não seja algo tão relevante a primeira vista, mas se analisarmos a questão com um pouco mais de profundidade, podemos ver as conseqüências sociais que mudanças como essas podem acarretar.
O que fazer?
Fiquei sabendo sobre este assunto através de um comercial que assisti no Canal Fox. A Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) está promovendo uma campanha em seu site, no qual você pode mandar um e-mail aos autores e relatores do Projeto de Lei expressando sua opinião.
Para ajudar é muito fácil. Acesse www.liberdadenatv.com.br e preencha um pequeno formulário com seu nome e endereço de e-mail, e pronto. O e-mail vai diretamente para eles.
Se tiverem interesse em colaborar ainda mais, repassem o link!
Obrigada pela atenção, e agora voltamos a nossa programação normal.
...
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Sobre como não há concurso publico nas relações interpessoais
Muita gente age como se estivesse na vida dos outros permanentemente, pra ficar pra sempre. E isso é totalmente mentira. Não há raiz tão profunda que não se possa cortar ou buraco grande demais que não se possa cobrir com terra de outro lugar. Não existe hecatombe nuclear devastadora o suficiente para matar tudo que é vivo. Sempre haverão as baratas.
Ninguém é fundamental e insubstituível simplesmente por ser quem é. Mãe é só uma? Mentira! Irmão não se escolhe? Mentira! Essas pessoas, por mais permanentes que pareçam ser por definição, não são essenciais só por serem quem são.
E aí vem a parte foda da teoria. As pessoas se FAZEM insubstituíveis. Pelas ações, pelos sentimentos envolvidos, etc. E essa essencialidade tem que ser real no presente. O que se faz AGORA, o que se sente AGORA. Os momentos felizes que só estão na memória trazem uma tristeza enorme ao coração, quando se pensa no presente desagradável.
E é por isso que namoros acabam, amizades se perdem, irmãos se separam. Porque acabamos por perceber que precisamos de outra pessoa pra preencher aquele posto. Simples assim.
Assim voltamos ao ponto de partida: Não há concurso público nas relações interpessoais. Não há cargo vitalício. A fila anda e ponto final!
E pros que quiserem se candidatar aos cargos disponíveis na minha vida, favor enviar currículo com foto de corpo inteiro, sem óculos escuros ou boné. Fluência em português é essencial!
(não aceitamos ex-cast members, por motivos óbvios)